Levantem-se os corajosos!

É quase impossível não nos emocionar quando assistimos aos momentos finais do filme “Brave Heart”, quando William Wallace está a ser torturado perante uma multidão de curiosos e o seu carrasco quase que roga para que ele peça por misericórdia. Em vez disso, Wallace reúne o que lhe resta de força e brada: “Liberdade!”

William Wallace não estava a tentar ficar famoso ou escrever o nome na história. Mas quando surgiu o momento decisivo, ele seguiu a consciência e lutou pela liberdade do seu povo com bravura e coragem.

Vivemos hoje momentos decisivos na história da Igreja. Em quase todo o mundo as pessoas estão cada vez mais cansadas do que vêem a ser feito e pregado em nome de Cristo. Igrejas que se transformaram em verdadeiros partidos políticos e impérios pessoais.

Líderes megalomaníacos que seduzem, manipulam e dominam rebanhos incapazes de discernir a mão direita da esquerda. Pastores envolvidos em escândalos financeiros, morais e políticos que apelam para teorias de perseguição religiosa em vez de se arrepender e voltar ao primeiro amor.

Crentes mornos, sem paixão pela verdade, vivendo uma espiritualidade do templo completamente desligada do resto da vida. Precisamos de uma nova Reforma, desta vez no seio no Evangelicalismo.

Francamente, estou cansado de ouvir pessoas que dizem: “Deus está no controle”, “A Igreja é de Deus” e “Nós devemos orar”, quando a sua liderança maior está envolvida em escândalos, esquemas políticos e evidentemente enamorada do poder. Sim! Deus sempre está no controle, é o Senhor da Igreja, e definitivamente devemos orar!

Lutero acreditava em todas essas coisas, mas não ficou calado quando a Igreja dos seus dias estava mergulhada na política, venda de indulgências e poder papal. Ele agiu! É por isso que a história do Cristianismo foi mudada. É por isso que hoje podemos ler a Bíblia na nossa própria língua. Não deveríamos ter a mesma atitude se realmente queremos uma igreja renovada para nós, nossos filhos e as gerações vindouras? Se não estamos contentes com a política na igreja (e com a política eclesiástica) que temos hoje, será que não deveríamos começar a fazer algo em relação a isso agora, antes que seja tarde demais?

Deus estava no controle durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto Hitler dizimava seis milhões de judeus. Muitos pastores e líderes cristãos ficaram calados. Nós nem sequer ouvimos falar sobre eles. A sua atitude não nos inspira, por causa de sua complacência e comprometimento com o sistema nazi.

Mas quando pensamos naquela época, somos inspirados por pessoas como Corrie ten Boom e sua família que decidiram não assistir à matança calados, ainda que acreditassem na autoridade e soberania de Deus sobre a situação. Eles agiram, arriscaram a vida, não se curvaram perante o sistema com a desculpa de que deveriam obedecer cegamente às autoridades.

Tal como eles também o jovem pastor luterano Dietrich Bonhoeffer não ficou calado. Nós não ouvimos falar dele hoje por causa da sua teologia. Ele tem sido uma inspiração no nosso tempo justamente porque decidiu enfrentar os desafios de seu tempo, ainda que isso tenha lhe custado a liberdade e, por fim, a própria vida.

Deus estava no controle quando negros eram tratados como animais no sul dos Estados Unidos. O também jovem pastor baptista Martin Luther King acreditava na soberania de Deus, mas mesmo assim decidiu confrontar o racismo e lutar pela igualdade de direitos civis. As suas manifestações pacíficas foram acusadas de promover distúrbio público. A família foi ameaçada, ele foi perseguido e morreu a sonhar com uma sociedade mais justa. Foi porque ele não ficou calado que os seus filhos e netos podem hoje viver o seu sonho, e um negro tem agora possibilidades reais de ser eleito Presidente dos Estados Unidos.
Martin Luther King disse: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É sim o silêncio dos bons.”

O que dizer do jovem pastor de ovelhas filho de Jessé? Ele podia ter se escondido atrás da desculpa: “Esse problema não é meu!”, quando ouviu Golias desafiar os exércitos de Israel. Ele podia ter dito: “Eu não sou soldado.” Ele poderia ter dado qualquer desculpa para não se envolver na luta.

E se o tivesse feito nós não ouviríamos falar dele ainda hoje. O que mais gostamos de contar aos nossos filhos sobre David não é sobre seu reinado glorioso. O que nos inspira é que ele enfrentou o desafio do seu tempo, mesmo que não fizesse parte do exército de Israel. Será que podemos sequer pregar sobre David se nós mesmos não estamos dispostos a nos envolver-nos e enfrentar os desafios que temos diante de nós para uma Igreja melhor?

E o que dizer de Sadraque, Mesaque e Abedenego, jovens companheiros de Daniel no exílio babilónico? Eles podiam simplesmente ter-se curvado diante da estátua de ouro com a desculpa de ter que obedecer às autoridades superiores. Mas não foi isso que fizeram. Pelo contrário, escolheram obedecer a Deus em vez de se curvar diante de homens ambiciosos e seus ídolos dourados. É por isso que a história deles nos inspira hoje. Gostamos de ensiná-la nas escolas bíblicas para incentivar as crianças e jovens a não se curvar diante do sistema do mundo, não se render às tentações, não ceder às pressões. Sugiro que a menos que estejamos dispostos a não nos curvar diante do sistema religioso profanado pela política e embriagado pelo poder, devemos parar de ensinar essa história nas igrejas e escolas bíblicas.

Quando a história da Igreja de hoje for escrita, o que será dito a nosso respeito? Como seremos retratados? Será como homens e mulheres de coragem e honra, dispostos a confrontar as potestades, arriscar a segurança e empenhar-nos por uma igreja melhor, livre da política e do evangelho deturpado? Uma igreja comprometida com a Missão de Deus no mundo?

Será que podemos ouvir ecos do que disse Mordecai? “Se tu te calares, Deus levantará socorro de outro lugar… Mas quem sabe não foi para um momento como este que Deus te colocou aqui?”

Estamos dispostos a responder como a jovem Ester? “Ore por mim… Eu falarei, não me calarei… Se perecer, pereci.”

A geração dos cristãos comprometidos com o Evangelho de Cristo pode levantar-se, por favor?

Fonte: Adaptado de Sandro Baggio, em Renovatio Café.

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