Chamada para servir

Aparência

030_MO~1

 

Aparência é o que aparece (a exterioridade), mas ainda é mais o que parece (a semelhança ou parecença).

As aparências iludem, diz a sabedoria popular. É verdade. Muitas vezes elas surgem justamente para iludir ou distorcer a realidade.

A mentira, por exemplo, é uma forma de aparência destinada a conduzir o Outro ao engano. A simulação, a dissimulação, a sugestão (por vezes) e a manipulação, são formas de ganhar ascendência sobre o parceiro, retirando daí algum benefício.

O parece é primo do quase. Mas quando o quase surge não se trata da exacta medida. O atleta quase chegou à meta em primeiro lugar, a bola quase entrou na baliza, o transeunte quase conseguiu evitar o seu atropelamento. Pois é. O atleta não ganhou a corrida, o futebolista não marcou golo e o desgraçado acabou mesmo atropelado. Mas esteve quase.

Se calhar não é por caso que o termo é classificado como um substantivo feminino, já que a mulher tem armas especiais em matéria de dissimulação. Ou talvez esta asserção não passe de um laivo machista. Talvez.

Aparência é também o aspecto pelo qual avaliamos as pessoas ou as coisas. E tantas vezes erramos nesse cálculo, porque a aparência das coisas nem sempre tem que ver com a sua essência.

Aparência pode ainda ser um disfarce. No velho Carnaval de Veneza toda a gente usa máscaras para não revelar a sua verdadeira identidade. O facto de não ser reconhecido permite ao cidadão não se sujeitar às condicionantes sociais, escapando assim à censura pública, além de experimentar o risco de se cruzar e chegar à fala com outros mascarados cuja identidade desconhece. É a vertigem da aventura, do risco, a exploração do desconhecido, do mundo das probabilidades.

Na mesma linha actuam os vigaristas. Fingem ser o que não são, de modo a obter vantagem sobre os outros.

Nesta matéria a fé cristã exorta em dois sentidos. Ou seja, antes de mais no sentido de desistir de qualquer fingimento perante Deus, que tudo sabe e conhece. Mas também na via de evitar a hipocrisia religiosa, típica dos fariseus, que tem sempre por detrás a ideia de enganar o seu semelhante. De parecer mais piedoso do que se é.

Com Jesus de Nazaré deram-se mal. Mas hoje, os fariseus modernos ainda conseguem enganar muitas almas inocentes.

B. L.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Nuvem de etiquetas

%d bloggers like this: