Chamada para servir

eu não envergonho o evangelho

Mais uma moda de origem brasileira. Desta vez é o desafio, nas redes sociais, chamado “Eu não me envergonho do Evangelho”, onde a pessoa é desafiada a compartilhar um trecho do evangelho através de um vídeo, e no final, desafiar outras pessoas do seu círculo de amizade a prosseguirem com a “corrente”.

Desde logo, o sistema de “corrente” é suspeito. Normalmente é visto em acções ocultistas do tipo “se não passar esta mensagem a X pessoas vai-lhe acontecer isto ou aquilo”. Nunca dei para esse peditório e também não dou para este, pois a mesma manipulação está lá bem presente. A pessoa é constrangida a expor-se em público, ficando no ar uma censura de falta de fé ou ousadia, ou mesmo de espiritualidade se não o fizer, e dentro de algumas horas.

Como escreveu Dani Marques: “Imagino eu que este movimento tenha sido inspirado pelo versículo de Romanos 1:16: ‘Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê…’, mas percebo que algumas pessoas que participam da tal ‘corrente’ mal sabem o significado da palavra ‘evangelho”.

Acresce que começamos a ver pessoas na corrente a testemunhar uma fé que não vivem, apenas para não ficar mal na fotografia. Ora, o grande desafio dos cristãos é não envergonhar o evangelho que pregam. Isto é, não tanto definirem-se como cristãos, mas que Cristo seja revelado no seu modo de vida.

Volto a Dani Marques: “O Evangelho se torna real quando damos de comer ao que tem fome e de beber ao que tem sede, quando vestimos os que estão nus, abrigamos os desabrigados e abraçamos os que estão carentes de família e de afeto. O desafio é olhar nos olhos de uma prostitua e enxergar dentro dela uma alma, e não um pedaço de carne. Olhar para o drogado, ladrão e traficante, e ter a certeza de que Deus poder extrair daquela pedra bruta um lindo diamante. É amar os que te fazem mal, fazer o bem em todo tempo e orar pelos que vos perseguem. É dominar a língua no momento da ira, dar a outra face, tratando todos com respeito e igualdade. Como bem disse Francisco de Assis: ‘Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.”

Deixo a reflexão de Ed René Kivitz a este propósito, e que subscrevo na íntegra: “Não, eu não me envergonho do Evangelho, “não me envergonho do evangelho porque é pode de Deus para a salvação de todo aquele que crê…”, mas preciso dizer que “não me envergonho do evangelho” é diferente de “não me envergonho dos evangélicos”, e também é diferente de “não me envergonho daquilo que é dito em nome do evangelho”. Não me envergonho do evangelho também é diferente de “não me envergonho daquilo que é feito em nome do evangelho” ou de “não me envergonho daquilo que o senso comum pensa que é o evangelho”. Não me envergonho do evangelho é bem diferente de “não me envergonho da subcultura evangélica ou da cultura religiosa construída a partir do evangelho”, porque dessas coisas, ou da grande maioria delas, eu realmente tenho vergonha”…

B. L.

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