Chamada para servir

O dever de escandalizar

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Há uma coisa que tem de parar de ser dita, “os Cristãos não devem escandalizar”. Não posso estar mais em desacordo com essa afirmação. O Cristão tem é o dever de escandalizar. Se um Cristão não é um incómodo, um escândalo, uma afronta ele não é Cristão coisa nenhuma!

Esta ideia de que não se pode escandalizar deriva de uma exegese errada de algumas coisas que Jesus e Paulo disseram. Jesus fala que escandalizar um pequenino é uma coisa terrível e Paulo adverte para que não escandalizemos o irmão mais fraco na fé.
Esta palavra, escandalizar (dispensamos o grego ok?), nestes contextos, significa ‘levar a pecar’ ou levar a ‘perder a fé’ e é sempre referida em relação àqueles que têm muito pouca firmeza na fé. Nenhuma destas partes da Escritura fala de não agitar a vida monótona e religiosa de um Cristão velho (sim, velho, e nem por isso maduro).

As pessoas que se colocam debaixo deste jugo do não ‘escandalizar’, fazem-no de forma sincera e com o objetivo de agradar a Deus, porém começam a ter uma vida determinada pelas idiossincrasias de uma meia dúzia crentes chatos e a vida bonita que Deus dá começa a tornar-se numa vida chata, que nem nos parece ser a correcta mas que acabamos por engolir sob pretexto de ’não escandalizarmos’.

 

‘bem-aventurado aquele que em mim não se escandalizar’

 

Jesus foi um escandalizador e os seus seguidores também o devem ser. Foi Ele que propositadamente disse, após alimentar uma multidão que o seguia por causa de comida, que quem o segue tem de comer o seu corpo e beber o seu sangue. Ou que usa elementos escolhidos a dedo nas suas intervenções públicas para provocar a classe religiosa e o status quo. Ele que diz ‘bem-aventurado aquele que em mim não se escandalizar’. Ele que ignora os rituais dos judeus, que faz questão de fazer uma série de coisas propositadamente no sábado. Na verdade nem sei porque estou a enumerar, os evangelhos praticamente só contêm escândalos, até mesmo o significado da morte Jesus na cruz foi vista como uma loucura e um escândalo.

Para muitos talvez a única forma de salvação seja a de um poderoso e violento escândalo, do género daqueles que Jesus reservava exclusivamente para os Fariseus. Jesus já-me escandalizou e isso foi a minha Salvação.

É evidente que escandalizar não é um fim em si mesmo. Desejar provocar nunca pode ser o fim, no entanto pode ser um meio excelente, senão único, para fazer ouvir os os ouvidos moucos e calejados de tanto ignorar os constantes chamados de Deus.
Também não devemos confundir o ser verdadeiro, frontal, nunca duplo, com o ser rude, mal educado e falto de amor. Uma coisa é ter uma coluna vertebral e dizer sempre o que está certo, outra coisa é camuflar o meu péssimo feitio com uma pretensa verticalidade.

Com este cuidado, sigamos o exemplo do mestre e escandalizemos, empurremos as mentes do conforto da religiosidade, espicacemos as brasas dos corações despistados e alheios ao Reino.

 

Fonte: Proclamação. 

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