Chamada para servir

Ninguém é livre sozinho

 

“Ser livre não significa outra coisa senão realizarmo-nos mutuamente.” Esta é a opinião do filósofo (com formação em Teologia) Byung-Chul Han (Psicopolítica, Relógio d’Água, 2015).

A libertação proposta por Jesus de Nazaré aos religiosos do seu tempo, baseava-se na “verdade” (João 8:32) do Deus revelado. O judaísmo conhecia o Deus dos antepassados numa perspectiva meramente formal – daí recorrer sempre à sua tradição religiosa e linhagem espiritual: “somos filhos de Abraão” – mas precisava conhecer agora o Deus de Israel revelado no Seu Filho, pois apenas este os podia “libertar” (João 8:36). Apenas uma visão renovada e actualizada de Deus, que fosse para além de Abraão e da lei de Moisés, poderia fazê-los levantar os olhos para cima.

Em Cristo, o Pai revela-se agora como muito mais do que uma tradição histórico-religiosa, uma liturgia, uma prática étnica ou um conjunto de crenças. A relação de Deus com a humanidade criada havia instalado um novo paradigma desde a Encarnação. A nova “imagem” do divino é agora de proximidade humana, em vez duma distância protectora, e de amor profundo, em vez de justiça implacável.

Mas o mais curioso é que a observância da lei (ainda que duma forma incompleta e imperfeita), por mais séria que fosse, não resolvia o problema de fundo. Ou seja, os judeus não investiam na realização e bem-estar do próximo (daí a ênfase que Jesus deu ao tema), não podendo, portanto, realizar-se a si mesmos.

A religião judaica do I séc. dC falhou ao não entender a universalidade da fé bíblica. Queriam continuar a possuir a sua religião étnica e o seu Deus exclusivo, à boa maneira pagã. Não perceberam que, pelo facto de sermos todos humanos, criação divina, a nossa realização passa sempre pela realização do nosso semelhante, e que Deus tem muitos filhos.

Foi por isso que Jesus ensinou a orar: Pai nosso, em vez de Pai meu.

 

JB-L    

 

 

 

 

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