O caminho da responsabilidade, segundo Dalai Lama

 

 

 

Dalai Lama, líder espiritual do povo tibetano, em entrevista à DW, reproduzida pelo portal brasileiro Terra e como resposta à questão dos ataques terroristas de Paris, respondeu: “Não podemos resolver esse problema apenas através de orações. Eu sou budista e acredito na oração. Mas foram os seres humanos que criaram esse problema, e agora estamos pedindo a Deus para resolvê-lo. É ilógico. Deus diria: resolvam-no sozinhos porque vocês mesmos o criaram.” (os negritos são nossos)

Estas declarações merecem uma reflexão.

Na perspectiva cristã, “a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5:16), pelo que não é ferramenta de desprezar, em caso algum. Mas o que Dalai Lama diz é que é necessário mais do que simplesmente pedir a Deus. Torna-se necessária uma mudança de atitude e de cultura na relação com o próximo. Aí encontraremos a chave do problema.

No célebre Sermão do Monte, Jesus de Nazaré chamou-nos à prática da pacificação e não da beligerância (Mateus 5:9). Não pacifistas mas pacificadores. Por isso, de certa forma o apelo do líder espiritual dos budistas não está longe do que o Mestre preconizava. Mas a questão é mais funda.

Os ouvintes das bem-aventuranças foram desafiados a um estilo de vida contracorrente, inovador, impulsionado pelo Espírito Santo, que não procede apenas da boa vontade e generosidade humanas, mas dum espírito transformado, através duma experiência espiritual de conversão (metanoia) a Cristo, por via do Evangelho.

O que importa sublinhar na opinião de Dalai Lama é sobretudo a colocação das coisas na sua devida ordem. Ou seja, não se pode apenas pedir a Deus que resolva os problemas que os homens criaram. Não chega. Está na nossa mão fazer alguma coisa, sermos proactivos e protagonistas da mudança que desejamos. Somos convidados a fazer um caminho de responsabilidade.

Porém, a nossa diferença com Dalai Lama está no como. Cremos que as boas vontades não chegam, e que só homens e mulheres transformados pela mensagem libertadora do Salvador poderão fazer a diferença, enchendo de luz (Mateus 5:14) as trevas negras em que este mundo está mergulhado.

Amar o próximo como a nós mesmos é mais do que solidariedade. Não é fácil nem pode estar sujeito aos interesses ou humores do momento. É necessário mais qualquer coisa que proceda do nosso interior. Algo espiritual, que vai além da mente, dos sentimentos e emoções.

 

JB-L

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