Chamada para servir

O herói improvável.

 

Um autocarro foi emboscado no nordeste do Quénia a poucos dias do Natal. Os terroristas que o atacaram queriam separar os cristãos dos muçulmanos para os massacrarem. Houve alguém que lhes fez frente.

Morreu no dia 19 de Janeiro, numa cama de um hospital em Nairobi, devido a complicações pós-operatórias. Salah Farah, muçulmano, 34 anos, sobreviveu apenas 29 dias desde que o autocarro em que viajava, no Quénia, foi emboscado por um bando de jihadistas do grupo al-Shabab. Faltavam apenas quatro dias para o Natal. Normalmente, os autocarros que se atrevem a atravessar a região de Mandera são escoltados pelo. “Infelizmente, naquele dia não houve escolta”, explicou Farah aos jornalistas que o visitaram no hospital dias antes da intervenção cirúrgica que se revelou fatal. Os extremistas bloquearam o autocarro e dispararam rajadas de metralhadoras que estilhaçaram logo os vidros. Depois, aos gritos, exigiram que os cerca de 80 passageiros desembarcassem.

Era o que todos temiam. Já em Mandera, em 2014, ocorrera um incidente do género. Então, um autocarro foi também atacado e os passageiros separados por grupos, conforme a religião. Os não-muçulmanos foram fuzilados. Morreram 28 pessoas, na sua maioria cristãos.

Dia 21 de Dezembro de 2015. O muçulmano Salah Farah, professor numa escola primária em Mandera, no nordeste do Quénia, estava de regresso a casa, desde Masaai Mara, onde tinha ido fazer uma acção de formação.  A viagem levava já 800 km. Estava quase a chegar quando tudo aconteceu. Como o autocarro seguia sem escolta, não foi difícil aos terroristas obrigarem o motorista a parar o veículo. Então, mandaram os passageiros sair. Algo de inédito, porém, estava para acontecer.

“Somos irmãos”

“Disseram para nos separar. Cristãos para um lado e muçulmanos para o outro”, recordou Farah. Mas todos recusaram acatar esta ordem. Ameaçadores, os terroristas fizeram novos disparos. Uma das balas atravessou a anca de Farah. Outros ficaram também feridos. Mas, mesmo assim, ninguém aceitou separar-se. Os muçulmanos rodearam os cristãos e tiveram um gesto que ninguém mais irá esquecer no resto das suas vidas. “Matem-nos a todos ou deixem-nos em paz.” Perante esta reacção inesperada, os terroristas acabaram por silenciar as armas e partiram.

Salah Farah foi transportado para o Hospital Kenyatta em Nairobi, mas não resistiu aos ferimentos. Além da bala que lhe perfurou a anca, ficou com estilhaços no braço direito. Numa das visitas que recebeu antes da intervenção cirúrgica, falou com jornalistas. Perguntaram-lhe por que arriscou a vida para salvar os cristãos.

A resposta foi imediata: “Somos irmãos. Peço aos meus irmãos muçulmanos que cuidem dos cristãos e aos cristãos que cuidem de nós. Ajudemo-nos uns aos outros e vivamos em paz.”

Tinha 34 anos. Farah deu a vida por aquilo em que acreditava: a paz.

 

Fonte: Imissio.net.

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