Do amor

 

 

 

 

“E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” (1 João 4:16)

 

A teologia joanina é bastante enfática quando identifica a essência divina, o íntimo do Deus-Pai revelado nas Escrituras, com o princípio do Amor: “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1 João 4:8).

O Deus cristão não está preferencialmente identificado – do ponto de vista da sua essência – como Justiça, por exemplo, ao contrário do Deus Iavé, do Antigo Israel, ou como Verdade, ao contrário da proclamação de Jesus de Nazaré: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).

A ênfase do amor como essência divina seria revolucionária à época, pois quanto à descoberta da verdade já os gnósticos a procuravam e supervalorizavam, embora enquanto conhecimento místico alcançado. E quanto à justiça, estaria entranhada na cultura judaica, através da lei de Moisés. O amor, sim, era um conceito inovador – um estágio avançado da revelação divina, que é progressiva, como se compreende – nas culturas do mundo antigo, invariavelmente estribadas na violência e não na misericórdia, na lei do mais forte e não na compaixão, e no princípio de Talião.

Se virmos com atenção, a autoapresentação do Cristo comportava já em si mesma todas estas vertentes. Quando declarou ser o Caminho estava a falar de justiça: “Guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome” (Salmo 23:3b). Isto é, pelas veredas da vontade divina, que é a verdadeira justiça de Deus.

Quando o Mestre afirmava ser a Verdade, estava a assumir ser a perfeita revelação do Pai: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hebreus 1:3). Mas também a segurança da imutabilidade: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17). Portanto, uma verdade eterna, que não muda.

Todavia, quando se afirma como Vida, no fundo fala de Amor. A Criação procedeu de um acto de amor: “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera” (Isaías 64:4), “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19), e a vida humana normalmente é gerada da mesma forma, como fruto do amor de um homem e uma mulher.

Mas o princípio do amor levantava questões de difícil resolução. Era muito mais fácil uma pessoa guiar-se pela verdade ou pela justiça, do que pelo amor. Este era muito mais desafiador porque expõe a pessoa face ao outro, entregando voluntariamente ao outro a capacidade e a margem de manobra para o rejeitar a si mesmo. Pode-se dizer então que praticar o amor de Deus exige coragem.

 

O amor como dom

O amor de Deus não se vende nem se compra. É uma dádiva do céu, um dom divino. Não se encontra nas páginas dum código de justiça nem na descoberta duma verdade, por mais profunda que seja. Transcende a lei e o conhecimento. Funciona noutro plano.

O amor divino, enquanto dom, nunca é outorgado a um só indivíduo, para seu exclusivo benefício ou usufruto. Com a concessão do dom Deus pretende provocar uma reacção em cadeia, semelhante ao princípio da fusão nuclear, descoberta pelo homem no século passado mas inscrita no sol e nas grandes estrelas desde a Criação. O princípio da bomba atómica é justamente a reacção em cadeia de fusão nuclear. Cada acção vai provocando a próxima acção e assim sucessivamente.

A outorga do dom do amor pretende provocar este tipo reacção. Libertar amor gera mais amor. Uma pessoa que se sente amada tende a amar os que estão à sua volta.

O exercício do amor como mandamento

“E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5:5).

Jesus mandou aos seus discípulos que amassem o próximo. Não foi (nem é) um conselho, mas uma ordem. Só por aqui se pode comprovar que o “amor de Deus” (é desse tipo de amor que falamos) não é um sentimento, qualquer coisa volátil, flutuante, intermitente, nem tão pouco algo volitivo (dependente da vontade de cada um no momento). É um imperativo.

O amor-mandamento não se inscreve numa economia de trocas, não está dependente da atitude do outro ou da sua receptividade ou resposta à nossa abordagem.

Não está limitado pelo tipo de relações interpessoais que se desenvolvam com a pessoa em causa, por questões de empatia, simpatia ou identificação com o outro.

O amor-mandamento também não está condicionado aos méritos pessoais ou merecimento do outro.

Não tem que ver com o nosso estado psico-emocional pontual, de maior ou menor fragilidade, equilíbrio interno ou harmonia com o mundo envolvente.

Simplesmente, tem que ser. E, como diz o povo, o que tem que ser tem muita força. Mas porque razão tem que ser? É simples. O cristão é apenas um canal do amor divino derramado no seu coração. A recusa em amar o próximo, em todas as circunstâncias, não é mais do que a recusa em ser um instrumento nas mãos de Deus. Não se espera dum canal que obstrua o seu caudal, mas que o escoe. Não somos torneiras mas canais.

Se optarmos por obstruir este canal que somos, o caudal do amor cessa e o canal fica seco, ou seja, reduzido à morte espiritual. Portanto, a boa saúde e, em última análise, a vida espiritual do discípulo depende da sua capacidade de ser um canal, fiel na transmissão do amor divino para os outros, através da sua pessoa.

Quando se ouve um discípulo dizer que não é capaz de amar o próximo, significa que não está disponível para ser um canal do amor de Deus.

Assim, do ponto de vista teológico podemos dizer que o amor não é um sentimento, uma emoção ou produto da vontade humana, mas sim um produto do Espírito Santo que habita no crente. Segundo a Carta aos Romanos (5:5) o amor de Deus “está derramado” no íntimo do cristão, por operação do Espírito de Deus.

Mas está lá a fazer o quê? Para que efeito? Em parte para benefício e usufruto próprios, é certo. A consciência e percepção do amor de Deus (que Deus nos tem) é essencial para a “respiração” da fé pessoal do crente, muito em especial face a circunstâncias e vivências adversas. Mas não é tudo. Nem talvez o principal. O amor de Deus está lá para ser encaminhado para o irmão e o próximo, pois é essa a essência do Evangelho.

O cristão comprometido com Cristo e sua Igreja é um agente divino na terra, um discípulo, uma testemunha (marturia), um canal de bênção para os outros. O projecto de vida que Iavé reservou a Abraão foi, em última análise, que o patriarca se constituísse bênção para as nações: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” (Gênesis 12:2). Espera-se que os cristãos, como descendência espiritual do patriarca aliançado com Deus, retomem o estabelecimento de tal propósito – ser uma bênção na vida dos outros.

O amor e a última ceia

Esta partilha do amor de Deus pode comparar-se, de certo modo, ao partir do pão na última ceia de Cristo. Esta ceia comunitária fala de partilha do dom que está presente. O pão, depois de abençoado, torna-se bênção divina para os que o tomarem. Neste episódio há três momentos importantes a reter: primeiro o Mestre tomou o pão.

O pão, nas mãos santas de Jesus já não é só pão, um mero alimento confecionado a partir de cereais. Agora é também um instrumento divino, tal como a ferramenta na mão do carpinteiro.

Depois abençoou-o, ou seja, tornou-o dom de Deus, revestido de um simbolismo único, mas também de uma eficácia distinta (para que não haja “fracos”, “doentes” e “adormecidos” na congregação”, v. 30).

Finalmente partiu-o e distribui-o aos presentes. Ou seja, o dom de Deus não pode deixar de ser partilhado com todos os presentes, isto é, todos aqueles que se apresentarem à mesa. Daí a exortação enfática “esperai uns pelos outros” (v33b).

Na cultura da fé cristã tudo fala de partilha, de bênção, de propósito e de compromisso com Deus e o semelhante.

Uma questão de natureza

O exercício desse amor-mandamento, projectado nas nossas relações interpessoais, é denominado pelo apóstolo Paulo como “fruto do Espírito”, dentre outras evidências da presença e influência divinas em nós, através de Jesus Cristo, nosso Mediador: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.” (Gálatas 5:22)

Mais. Jesus ensinou que seria pelos frutos que poderíamos conhecer a natureza do homem, da mesma forma como é pelo fruto que se identifica uma árvore: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7:16)

Pode alguém dizer que, se o amor é mandamento, então onde está a sua espontaneidade? E, por consequência, o seu valor? É aqui que entra a questão da natureza.

O homem “nascido da água e do espírito” (João 3:5) – condição sine qua non para entrar no reino de Deus – sofre uma mudança substantiva na sua natureza espiritual, na essência do seu ser. A teologia paulina da salvação afirma que o tal foi “vivificado com Cristo” (Efésios 2:5), pois antes estaria “morto em ofensas e pecados” (Efésios 2:1). A hamartologia mostra que a vida de Deus habita agora no convertido, através do Espírito Santo, e que as evidências da sua vida só podem ser as do Espírito que em si habita.

Apesar disso S. Paulo defende que persiste no crente uma luta latente e constante entre a “carne“ e o “espírito”, que pode fazer tropeçar e cair de forma recorrente o convertido, mas a marca distintiva da sua natureza será sempre a da “nova criatura”: “Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gálatas 6:15). 

O amor como entrega

O amor, portanto, é a marca distintiva mais decisiva na vida cristã. O apóstolo disse-o à comunidade cristã de Corinto de forma eloquente, na sua célebre definição do amor agape (I Coríntios 13), onde traça a natureza do amor de Deus como sendo essencialmente uma motivação e atitude de entrega ao outro sem condições.

Brunner (1889-1966), grande teólogo suíço do século XX, caracterizou a comunhão dos santos observada durante a igreja do primeiro século, como “um dar e receber recíproco”, retomando a fórmula de Lutero. (1)

Como não podia deixar de ser vamos encontrar o exemplo maior do dar e da entrega na vida de Jesus Cristo, nosso modelo e exemplo, “o qual se deu a si mesmo por nós” (Tito 2:14a), e, por amor, “se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Efésios 5:2).  

O amor como marca distintiva

Jesus deixou bem claro qual era o selo do discipulado perante o mundo (oikoumene): “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35). Assim, o amor divino é o emblema, a marca, o distintivo do cristão comprometido com Cristo. Não há outro. Nem a doutrina, nem a tradição, nem a história, nem a confissão/denominação, nem a estrutura ou organização eclesial.

 

José Brissos-Lino

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  • Brunner, E. (2000). O Equívoco da Igreja. São Paulo: ed. Novo Século, p 68.

 

E que fazer quando a bênção não vem?

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Ontem recebemos a visita do Pr. Ezequias Costa e esposa, Isabel (São Paulo, Brasil), que abençoou a igreja pelo seu testemunho e pregação. Contaram como foi a experiência de lutar  e vencer um acidente vascular-cerebral.
Igualmente inspirador foi a partilha da Palavra à volta do tema “Quando a bênção não vem”. O que fazer quando a bênção não vem logo? Foi um desafio de fé que impactou a assistência.

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Um Deus de misericórdia e campanha em favor dos bombeiros voluntários

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Abençoada celebração de domingo com pregação sobre a misericórdia de Deus, baseada em Lamentações de Jeremias 3:22-23, pelo Pb. Cláudio Costa, e lançamento duma campanha de apoio aos Bombeiros Voluntários de Setúbal (AHBVS), representados pelo comandante-adjunto Paulo Sedas e pela Bombeira Áurea.
Esta campanha visa a angariação de novos associados para a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Setúbal e a recolha duma oferta especial, que está ainda a decorrer, para investir em equipamento. Orámos pelos bombeiros da nossa cidade e abençoámo-los.

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O olhar de Jesus

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Imagem: “A negação de Pedro” – Michael D. O’Brien

 
No evangelho de Lucas( 22; 60-62) lemos a seguinte passagem:
«Mas Pedro disse: Homem, não sei o que dizes.Imediatamente, enquanto ele ainda falava, o galo cantou e o Senhor, voltando-Se, fixou o olhar em Pedro… E Pedro, saindo, chorou amargamente.»
«Eu tinha um relacionamento bastante bom com o Senhor. Conversava com Ele, pedia-Lhe coisas, louvava-O, agradecia-Lhe. Mas tinha sempre um sentimento ou sensação inesquecível de que Ele queria que eu olhasse bem no fundo dos Seus olhos… E isto eu não queria. Conversava muito, mas desviava os olhos, cada vez que percebia que Ele estava a olhar para mim. Sim, olhava sempre para outro lado. E eu sabia porquê! Tinha medo. Receava encontrar uma acusação nos olhos d´Ele: algum pecado não arrependido. Mas pensava também poder encontrar, naquele olhar, algum pedido: algo que Ele quisesse de mim.
Um dia, finalmente, juntei toda a minha coragem e olhei! Não havia acusação alguma. Nem exigência ou pedido. Aqueles olhos diziam-me, simplesmente: «Eu amo-te!». Nessa altura eu olhei-os ainda mais no fundo com a persistência de quem procura algo. Nada encontrei, apenas a mensagem de sempre: «Eu amo-te!». Como Pedro, também eu saí… e chorei.»
Anthony de Mello, in “O canto do pássaro”

Hospitalidade

Do julg à hospit

Celebração de Ceia do Senhor com sermão sobre o tema “Do julgamento à hospitalidade”. Quando ouvimos alguém condenar de forma violenta os fracos, os pecadores e os que falharam, lembremo-nos sempre de duas coisas: 1º- da pergunta de Pedro (“quantas vezes, Senhor, perdoarei?”); e 2º- de perceber se o acusador tem alguma moral para acusar os outros.

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Podemos julgar as atitudes mas não as pessoas, porque as atitudes nós vemos, mas uma pessoa é muito mais complexa do que a sua atitude. A verdadeira resposta cristã ao outro não é o julgamento mas a hospitalidade, na linha do exemplo do próprio Cristo.

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É a hospitalidade que revela a misericórdia e o testemunho do nosso Deus; não o julgamento dos outros. Quem está disposto hoje a estender a mão aquele que é diferente, que pensa de forma diferente, que age de forma diferente, que tem uma fé diferente? Não fomos chamados para julgar pessoas mas para as acolher no reino de Deus.

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Alma Abatida

 

Foi durante um período de depressão que o salmista formulou esta pergunta para si mesmo: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?” (Sl 43.5).

Uma profunda tristeza havia tomado conta do rei de coração de chumbo e de alma de aço. Davi sentia uma sensação de vazio e de derrota. E não é verdade que muitas vezes nós também nos encontramos na mesma situação? É compreensível que não podemos estar inteiramente alegres o tempo todo. Afinal, nem todos os dias são dias de sol. O céu fica escuro muitas vezes. O que não é compreensível é estarmos deprimidos todo o tempo.

Vivemos dias difíceis. Dificuldades financeiras nos alcançam, as enfermidades abalam a nossa estrutura emocional, a insegurança da cidade nos inquieta, problemas familiares geram tristeza, enfim, todos nós enfrentamos muitos problemas. Mas o que não podemos permitir é que eles tirem a paz e a alegria do nosso coração. Precisamos lutar contra o desânimo. Não podemos jogar toalha nem entregar os pontos.

Alguma coisa dentro de nós diz que a vida é para ser vivida com garra, com coragem, com confiança. Por que estar triste quando se pode estar alegre? Por que se deixar abater quando temos um Deus que tudo pode? Por que decretar a derrota, se a Bíblia diz que “somos mais que vencedores, por aquele que nos amou?” (Rm 8.37).

O salmista considerou o seu estado de abatimento uma coisa tão séria que repetiu a mesma pergunta duas vezes. E, nesse esforço de reflexão, inspirado por Deus, ele descobre uma resposta para a sua pergunta: seus olhos não estavam na direção de Deus. Sua esperança não estava firmada na Rocha. Chegando a esta conclusão, ele encontrou a solução para o seu problema: “Espera em Deus” (Sl 43.5).

Acima das circunstâncias adversas, está um Deus que pode todas as coisas. O segredo do sucesso está em confiar e esperar nele.

Pr. Jairo Monteiro

Da atitude conformista

 

A partir da ideia corrente em diversos meios religiosos, de que tudo o que está a acontecer ultimamente está previsto nas Escrituras, passar a afunilar nesse terreno quase todo o discurso e praxis, é também uma forma sub-reptícia de não tomar partido pela verdade e justiça, ou seja, de a Igreja não falar nem se mover profeticamente neste mundo (oikos).

Mas também é uma forma manhosa de tomar o partido dos mais fortes. A Bíblia diz que “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17), o chamado pecado por omissão. O pastor Martin Luther King Jr. dizia: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

Se eu vir alguém com sede e o deixar morrer desidratado – enquanto culpo este mundo que está no “maligno” – acabei de pecar, de falhar o alvo. E o meu alvo natural seria dar um copo de água ao meu próximo, e não propriamente deixar-me ficar pelas meras apreciações e interpretações escatológicas. O sedento quer lá saber se a causa da sua sede estava prevista ou não nos textos bíblicos. Quer é beber água!…

Esta atitude conformista tem sido influenciada, ao longo da História, por razões conjunturais. Sempre que a Igreja foi aliada do poder político, pregou a submissão e justificou a exploração dos pobres pelos poderosos, e dos fracos pelos fortes, com essa coisa a que chamou “a vontade de Deus”, mas em flagrante contradição com o contexto geral das Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Por outro lado, quando a Igreja era minoritária ou vivia sem os favores do poder, evitou fazer ondas, por receio de sofrer represálias ou mesmo perseguição. Duma forma ou de outra a Igreja foi vivendo e comportando-se na sociedade sempre em função do poder, ou por se sentir atraída e acolhida pelos círculos palacianos ou excluídas dos mesmos.

A atitude conformista estriba-se numa teologia escapista e cai no mesmo erro que os apóstolos combateram em meados do I século, no mundo gentio, quando alguns convertidos à fé cristã deixaram de trabalhar para aguardar a Parousia (Segunda Vinda de Cristo). A ponto de o apóstolo Paulo sentenciar: “Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tessalonicenses 3:10). No caso presente o absentismo não é profissional ou laboral mas testemunhal e profético.

O facto de aguardar a Parousia dessa forma inerte não compagina com a oração sacerdotal de Jesus de Nazaré (João 17) quando disse ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17:15). É isto que os conformistas ainda não entenderam. Não têm que sair do mundo (oikos) mas sim que evitar a prática do mal que o caracteriza. E ficar quieto e calado quando se pode fazer alguma coisa é ser comparticipante do mal. Além disso, ao “saírem” do mundo os conformistas perdem toda a capacidade de ser sal e luz, que é exactamente a sua função neste mesmo mundo.

Dir-se-á que a causa primeira da atitude conformista é o sentido de escala ou o chamado “complexo de minoria”, que facilita uma postura defensiva num mundo hostil à fé. Não nos parece. É que os cristãos verdadeiramente comprometidos com a sua fé são e sempre foram uma minoria, um remanescente, um pequeno “rebanho”: “Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lucas 12:32). O facto de nos sentirmos impotentes para mudar o mundo não justifica que optemos por não mexer uma palha.

Um pequeno gesto nosso pode fazer a diferença na vida de uma pessoa, pelo menos. E se assim for já mudámos alguma coisa no mundo. Não só porque “o que ganha almas é sábio” (Provérbios 11:30b), mas também porque uma alma vale mais do que o mundo inteiro “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mateus 16:26).

Quando a casa está a arder, o conformista bem pode gritar que já se previa tal desgraça, que já se estava à espera. Não vai adiantar nada. O que há a fazer é arregaçar as mangas e apagar o fogo, de modo a salvar vidas e bens. Por alguma razão Kennedy dizia que “o conformismo é carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento”.

Nem quero pensar que nesta matéria haja lugar para a política da terra queimada, isto é, quanto pior, melhor. Mas é exactamente isso que parece quando se ouvem alguns cristãos falar dos “últimos tempos”. Até: “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3:17).

José Brissos-Lino

 

 

“Já não andavam com Ele”

A dificuldade em entender o discurso libertador de Jesus numa sociedade cristalizada na sua tradição religiosa foi o mote da pregação de ontem, na celebração da Jubileu, pela voz do presbítero Cláudio Costa. Por isso muitos dos discípulos de Jesus voltaram para trás “e já não andavam com ele” (João 6:66). Uma reflexão bíblica muito enriquecedora.

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Inércia evangelística

Infográfico: Maioria dos evangélicos não compartilha sua fé

O estudo divulgado recentemente pela missão LifeWay sobre evangelismo e discipulado não foi surpresa para muitos líderes evangélicos.

A LifeWay International é ligada à convenção batista e possui um departamento de literatura e um instituto de pesquisas.  Seu estudo mais recente aponta que 80% das pessoas que frequentam a igreja uma ou mais vezes por mês acreditam ter a responsabilidade pessoal de compartilhar sua fé. Porém, 61% afirmou não ter conversado com outra pessoa sobre como ser salvo nos últimos seis meses.

Esse levantamento é parte de um projeto da LifeWay Research visando mostrar como está a  maturidade espiritual  dos fiéis e seu compromisso com evangelismo e discipulado. Para os entrevistados, eram apresentados oito “atributos bíblicos” dos cristãos maduros.

Dentre os  oito, “compartilhar sobre Cristo” teve a menor pontuação média entre os participantes que se identificaram como membros de igrejas evangélicas . Cerca de 75% dizem estar satisfeitos com sua capacidade de comunicar o evangelho , enquanto  apenas 12% não se sente confortável em compartilhar sobre sua fé.

Mesmo a grande maioria dizendo acreditar que é seu dever partilhar a sua fé e terem segurança de saber como se faz, somente 25% diz ter falado sobre sua fé uma vez ou duas vezes nos últimos seis meses s, e 14% fizeram isso três vezes ou mais.

A pesquisa também perguntou quantas vezes eles “convidaram uma pessoa descrente para ir a um culto ou algum outro programa em sua igreja?” Quase metade (48%) respondeu: “zero”. Trinta e três por cento disseram ter convidado alguém uma ou duas vezes, e 19% disseram ter feito isso três vezes ou mais nos últimos seis meses.

O pastor Ed Stetzer, presidente da LifeWay Research, afirma:  “Muitas vezes tenho dito que só os novos convertidos se preocupam realmente em compartilhar sua fé. Na realidade, as pessoas que estão há mais tempo na igreja tendem a não compartilhar sobre Cristo menos que os novos na fé. Enquanto os recém-convertidos acham mais ‘natural’ compartilhar sua nova experiência de vida, os cristãos maduros quando o fazem precisam se programar para isso”.

Ainda segundo Stetzer, “a frequência com que alguém ora pelos seus parentes e amigos que não são cristãos é o melhor indicador da maturidade espiritual”,

Durante o estudo, 21% dos entrevistados dizem oram todos os dias pelos seus conhecidos que não são cristãos. Vinte e seis por cento afirmam orar algumas vezes por semana. Um quinto (20%) diz que raramente ou nunca ora pela conversão de outros.

“Se você tem dificuldade para compartilha sua fé, orar pelos outros é uma ótima maneira de começar. Muitas vezes a importância da oração não é vista apenas nas pessoas que desejamos  alcançar par Cristo. Ela também causa um impacto sobre a vida de quem ora “, conclui Stetzer.

Os demais resultados da pesquisa serão divulgados em breve e vão influenciar o novo material de discipulado que está sendo preparado pela editora Lifeway.

O portal Gospel Prime produziu um infográfico com os resultados da pesquisa.

Infográfico sobre Evangelismo

 

Fonte: Gospel Prime.

Musical Camp: uma experiência a repetir

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Realizou-se de 11 a 16 de Julho um Musical Camp nas nossas instalações, promovido pela Adonia. Durante a semana as crianças e adolescentes tiveram o seu tempo devocional, convívio, divertimento e prepararam o teatro e canções do musical sobre a vida de uma figura do Antigo Testamento – Rute – que apresentaram no sábado à noite, num concerto com a presença dos familiares e convidados.

O vereador Carlos Rabaçal esteve presente no espectáculo, em representação da presidente da câmara municipal, e elogiou o trabalho desenvolvido.

Algumas destas crianças beneficiaram de bolsas para poderem participar, visto pertencerem a famílias carenciadas, e que foram  fornecidas por membros da igreja e por uma instituição beneficente.

Juntaram-se a este grupo, no concerto. dez crianças institucionalizadas em Setúbal, que tinham feito este musical camp na semana anterior.

Foi uma experiência marcante na vida destas crianças e uma oportunidade para poderem conhecer a Palavra de Deus e o seu amor por nós.

Uma experiência a repetir.

 

 

O que Elias precisou aprender depois da vitória

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Celebração de grande bênção, baseada na história do profeta Eliseu e no encontro com a sua fragilidade, logo depois da retumbante vitória do Monte Carmelo.

Elias tinha acabado de derrotar os profetas de Baal. Jezabel ameaçou-o de morte e ele fugiu para o deserto, pedindo a Deus para morrer. Por vezes é depois das grandes vitórias que chegam as lutas mais duras.

Por vezes, depois da vitória vem a provação, mas um filho de Deus NUNCA está sozinho.

 

Uma celebração em que se falou de vitória

uma vitoria gloriosa

Não, não se falou de futebol… Apesar de ontem Portugal estar a disputar a final do Euro 2106. Falou-se de fé.

No paganismo do Império Romano havia uma deusa chamada Vitória, muito celebrada. Também sabemos das terríveis perseguições aos cristãos em Roma. Este texto é muito inspirador, mas acho que dificilmente compreendemos o seu alcance.

Versão “normal” de Romanos 8:37: “Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.”

 Versão mais clara: “Mas em todas as aflições deste tempo presente e em todas as nossas fraquezas, estamos a ter uma vitória gloriosa, através daquele que nos amou.”

No “Momento com…” o casal Paulino, António e Bia, recentemente entrevistados pelo jornal “O Setubalense” e TVI, falaram sobre a importância de Deus e desta sua comunidade espiritual na vida deles.